Mesmo em ano de recordes climáticos, tema some da campanha eleitoral no Brasil

As eleições de 2026 acontecem em um ano marcado por chuvas extremas no Sul e Sudeste do país e pelo risco de uma nova seca severa na Amazônia, enquanto o planeta segue batendo recordes de temperatura. Ainda assim, a pauta ambiental praticamente desapareceu do debate eleitoral a poucas semanas da votação.
Um levantamento do Observatório do Clima analisou 28 temas socioambientais nos programas de governo dos seis principais candidatos à Presidência registrados no TSE. A conclusão: apenas o atual presidente, Lula (PT), apresenta uma proposta compatível com a gravidade da crise climática. Quatro candidatos — Augusto Cury, Renan Santos, Ronaldo Caiado e Romeu Zema — tratam o tema de forma genérica, sem detalhar metas de redução de emissões, enquanto Flávio Bolsonaro (PL) nega a existência da crise climática e inclui sete propostas consideradas antiambientais em seu programa.
O cenário contrasta com a opinião pública: pesquisa Ipsos encomendada pelo Observatório do Clima mostra que 91% dos brasileiros consideram importante que os candidatos apresentem propostas para enfrentar a crise climática, e 62% classificam o tema como “muito importante”. Especialistas ouvidos na reportagem original destacam que os efeitos climáticos já afetam diretamente o bolso da população — via inflação de alimentos, juros e preço de seguros — e alertam que ignorar o tema deixa a população mais vulnerável às consequências dos eventos extremos.
Share this content:



Publicar comentário