Maranhão realizou 1º Fórum dos Desafios Climáticos para discutir impactos do El Niño no campo

O Maranhão sediou na sexta-feira (11), em São Luís, o I Fórum dos Desafios Climáticos: El Niño e os Impactos para a Produção Agropecuária Maranhense. Realizado dentro da programação da Expoema, o evento reuniu mais de cem participantes, entre gestores públicos, pesquisadores, técnicos de extensão rural e agricultores familiares, com o objetivo de integrar conhecimento agrometeorológico, extensão rural e a realidade de quem vive da terra no estado.
O fórum foi promovido pela Secretaria de Estado da Agricultura e Pecuária (SAGRIMA), por meio do Centro Estadual de Monitoramento Agrometeorológico (CEMAM), em parceria com a Agência Estadual de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural (AGERP) e a Superintendência Federal de Agricultura no Maranhão (SFA-MA). A proposta central do encontro foi unir ciência e planejamento preventivo para mitigar, no campo, os efeitos do El Niño e um dos principais resultados consolidados na programação foi o anúncio de uma meta para levar informações agrometeorológicas aos 217 municípios maranhenses, detalhada mais adiante.
Efeito em cadeia sobre preços e abastecimento Na abertura, a secretária de Estado da Agricultura e Pecuária, Jucielly Oliveira, afirmou que a estiagem associada ao El Niño já provoca um efeito em cadeia que vai muito além da lavoura. Segundo ela, a redução da pastagem afeta diretamente o rebanho, reduz a produção de leite e, na sequência, diminui a oferta de alimentos nas cidades, pressionando os preços pagos pelo consumidor final.
A presidente da AGERP, Ângela Carvalho, reforçou que a resposta a esse cenário passa pela agricultura familiar. Ela citou o incentivo ao uso correto de irrigação e cisternas e a capacitação de extensionistas como prioridades da agência para levar tecnologia e suporte técnico ao produtor.
O superintendente federal do Ministério da Agricultura e Pecuária no Maranhão, Yata Anderson Masullo, também participou da abertura, ao lado de especialistas, associações do setor agrícola, docentes e coordenadores técnicos.
Plano ABC+ e estresse hídrico na piscicultura Durante o painel técnico, mediado pela coordenadora do CEMAM, Yanca Silva, foi destacado que o Maranhão ocupa atualmente a 3ª posição do país em metas cumpridas dentro do Plano ABC+ (Agricultura de Baixa Emissão de Carbono), programa federal voltado à sustentabilidade no uso do solo. Os participantes defenderam a ampliação dessas iniciativas no estado.
O painel discutiu ainda os efeitos do estresse hídrico sobre culturas permanentes e temporárias em diferentes regiões maranhenses, além do impacto da seca sobre a piscicultura.
Meta de alcançar os 217 municípios O principal anúncio consolidado no fórum foi a meta do Governo do Estado de interiorizar as informações produzidas pelo CEMAM, garantindo que boletins, dados e orientações de prevenção cheguem aos 217 municípios maranhenses. Para isso, serão usados canais de comunicação direta, rádios públicas e o trabalho de técnicos em campo.
Jucielly Oliveira encerrou essa parte do debate destacando a articulação entre governo, universidades, institutos de pesquisa e órgãos federais. “O El Niño é uma realidade e não temos como ignorá-lo, mas temos como nos preparar para os seus efeitos”, disse a secretária.
Explicação técnica do fenômeno Na segunda parte do fórum, a meteorologista do Núcleo de Geociências (NUGEO) e professora da Universidade Estadual do Maranhão (UEMA), Andréa Cerqueira, explicou a dinâmica do El Niño e seus efeitos sobre a distribuição e o volume de chuvas no Nordeste. Segundo ela, o principal desafio atual não é apenas prever as variações climáticas, mas garantir que essas informações cheguem ao produtor de forma compreensível e a tempo de orientar o plantio.
O painel seguinte reuniu o geógrafo e superintendente da SAGRIMA, Darlann Weskley; o economista do IMESC, Anderson Nunes; os engenheiros agrônomos e meteorologistas Carlos Wendell Dias e Carlos Márcio Eloi; e o agricultor familiar Edvaldo Rocha, da Comunidade Cinturão Verde, em uma composição que buscou aproximar a visão científica da realidade prática do produtor rural.
O relato de quem está na roça Uma das participantes do fórum foi Maria do Socorro, agricultora familiar de Paço do Lumiar, que cultiva macaxeira, feijão e frutíferas. Ela contou que se inscreveu no evento assim que soube da programação, preocupada com os efeitos que já vem sentindo das mudanças climáticas em sua produção, e classificou o encontro como uma oportunidade de aprendizado sobre o tema.
Share this content:



Publicar comentário