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Maranhão realizou 1º Fórum dos Desafios Climáticos para discutir impactos do El Niño no campo

Maranhão realizou 1º Fórum dos Desafios Climáticos para discutir impactos do El Niño no campo

WhatsApp-Image-2026-09-12-at-14.07.11-1024x768 Maranhão realizou 1º Fórum dos Desafios Climáticos para discutir impactos do El Niño no campo

O Maranhão sediou na sexta-feira (11), em São Luís, o I Fórum dos Desafios Climáticos: El Niño e os Impactos para a Produção Agropecuária Maranhense. Realizado dentro da programação da Expoema, o evento reuniu mais de cem participantes, entre gestores públicos, pesquisadores, técnicos de extensão rural e agricultores familiares, com o objetivo de integrar conhecimento agrometeorológico, extensão rural e a realidade de quem vive da terra no estado.

O fórum foi promovido pela Secretaria de Estado da Agricultura e Pecuária (SAGRIMA), por meio do Centro Estadual de Monitoramento Agrometeorológico (CEMAM), em parceria com a Agência Estadual de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural (AGERP) e a Superintendência Federal de Agricultura no Maranhão (SFA-MA). A proposta central do encontro foi unir ciência e planejamento preventivo para mitigar, no campo, os efeitos do El Niño e um dos principais resultados consolidados na programação foi o anúncio de uma meta para levar informações agrometeorológicas aos 217 municípios maranhenses, detalhada mais adiante.

Efeito em cadeia sobre preços e abastecimento Na abertura, a secretária de Estado da Agricultura e Pecuária, Jucielly Oliveira, afirmou que a estiagem associada ao El Niño já provoca um efeito em cadeia que vai muito além da lavoura. Segundo ela, a redução da pastagem afeta diretamente o rebanho, reduz a produção de leite e, na sequência, diminui a oferta de alimentos nas cidades, pressionando os preços pagos pelo consumidor final.

A presidente da AGERP, Ângela Carvalho, reforçou que a resposta a esse cenário passa pela agricultura familiar. Ela citou o incentivo ao uso correto de irrigação e cisternas e a capacitação de extensionistas como prioridades da agência para levar tecnologia e suporte técnico ao produtor.

O superintendente federal do Ministério da Agricultura e Pecuária no Maranhão, Yata Anderson Masullo, também participou da abertura, ao lado de especialistas, associações do setor agrícola, docentes e coordenadores técnicos.

Plano ABC+ e estresse hídrico na piscicultura Durante o painel técnico, mediado pela coordenadora do CEMAM, Yanca Silva, foi destacado que o Maranhão ocupa atualmente a 3ª posição do país em metas cumpridas dentro do Plano ABC+ (Agricultura de Baixa Emissão de Carbono), programa federal voltado à sustentabilidade no uso do solo. Os participantes defenderam a ampliação dessas iniciativas no estado.

O painel discutiu ainda os efeitos do estresse hídrico sobre culturas permanentes e temporárias em diferentes regiões maranhenses, além do impacto da seca sobre a piscicultura.

Meta de alcançar os 217 municípios O principal anúncio consolidado no fórum foi a meta do Governo do Estado de interiorizar as informações produzidas pelo CEMAM, garantindo que boletins, dados e orientações de prevenção cheguem aos 217 municípios maranhenses. Para isso, serão usados canais de comunicação direta, rádios públicas e o trabalho de técnicos em campo.

Jucielly Oliveira encerrou essa parte do debate destacando a articulação entre governo, universidades, institutos de pesquisa e órgãos federais. “O El Niño é uma realidade e não temos como ignorá-lo, mas temos como nos preparar para os seus efeitos”, disse a secretária.

Explicação técnica do fenômeno Na segunda parte do fórum, a meteorologista do Núcleo de Geociências (NUGEO) e professora da Universidade Estadual do Maranhão (UEMA), Andréa Cerqueira, explicou a dinâmica do El Niño e seus efeitos sobre a distribuição e o volume de chuvas no Nordeste. Segundo ela, o principal desafio atual não é apenas prever as variações climáticas, mas garantir que essas informações cheguem ao produtor de forma compreensível e a tempo de orientar o plantio.

O painel seguinte reuniu o geógrafo e superintendente da SAGRIMA, Darlann Weskley; o economista do IMESC, Anderson Nunes; os engenheiros agrônomos e meteorologistas Carlos Wendell Dias e Carlos Márcio Eloi; e o agricultor familiar Edvaldo Rocha, da Comunidade Cinturão Verde, em uma composição que buscou aproximar a visão científica da realidade prática do produtor rural.

O relato de quem está na roça Uma das participantes do fórum foi Maria do Socorro, agricultora familiar de Paço do Lumiar, que cultiva macaxeira, feijão e frutíferas. Ela contou que se inscreveu no evento assim que soube da programação, preocupada com os efeitos que já vem sentindo das mudanças climáticas em sua produção, e classificou o encontro como uma oportunidade de aprendizado sobre o tema.

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