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Crise institucional ofusca debate de propostas e pauta socioambiental nas eleições, alertam entidades

Crise institucional ofusca debate de propostas e pauta socioambiental nas eleições, alertam entidades

A menos de um mês do primeiro turno das eleições de 2026, a escalada de uma crise político-institucional no país tem ofuscado o debate em torno de planos de governo e desafios estruturais. Representantes de entidades da sociedade civil alertam que os desdobramentos de disputas que envolveram o Supremo Tribunal Federal (STF) e outros Poderes dominaram a atenção pública, empurrando pautas cruciais para o segundo plano.

Segundo a presidenta da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), Samira de Castro, o debate eleitoral foi severamente comprometido pela centralidade conferida aos reflexos da crise do Poder Judiciário. Na mesma linha, a presidenta da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), Francilene Garcia, ressaltou que temas vitais como o financiamento contínuo e estável da ciência e projetos amplos de desenvolvimento nacional acabaram alijados da agenda prioritária das candidaturas.

As entidades reconhecem a seriedade das apurações decorrentes da Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal em novembro de 2025 sobre relações com o antigo Banco Master, mas enfatizam que as investigações não deveriam anular as discussões programáticas. Para o coordenador honorário da Campanha Nacional pelo Direito à Educação, Daniel Cara, o pleito ocorre em um momento global decisivo, mas os candidatos têm ignorado tópicos estratégicos como soberania, tecnologia e reestruturação produtiva.

No campo trabalhista, a presidenta do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap), Rita Serrano, destacou que pautas prioritárias, como a revisão da escala 6×1 e a negociação coletiva no funcionalismo público, perderam tração diante do sobressalto institucional. Além das relações de trabalho, Serrano e especialistas apontam que a soberania sobre minerais críticos e terras raras exige atenção legislativa e governamental diante do cenário internacional.

A urgência climática também tem sido negligenciada, de acordo com o secretário executivo do Observatório do Clima, Márcio Astrini. Ele lembrou os recentes desastres provocados por eventos extremos, como as secas na Amazônia e as enchentes no Sul, lamentando que poucos concorrentes apresentem planos robustos de mitigação e adaptação, enquanto alguns ainda insistem no negacionismo climático.

Paralelamente, as populações originárias demandam salvaguardas socioambientais e respeito à consulta prévia diante da expansão minerária e de projetos desenvolvimentistas. O coordenador executivo da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), Alcebias Constantino, reforçou que a luta pela demarcação territorial segue permanente e que o movimento optou por lançar 56 candidaturas próprias em diversos níveis para garantir representatividade direta nos espaços de poder.

Fonte: agenciabrasil.ebc.com.brJornalista/autor: Alex Rodrigues

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