Mineração de ouro avança em terras indígenas na Amazônia e amplia riscos ambientais

Uma nova análise sobre a mineração de ouro na Amazônia brasileira aponta expansão acelerada da atividade em terras indígenas, com efeitos sobre a floresta, os rios e a saúde das comunidades.
Segundo levantamento divulgado pela Associated Press com base em dados do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM), a área afetada pela mineração de ouro no país cresceu cerca de vinte vezes entre 1985 e 2024. Nas terras indígenas, a expansão foi ainda mais intensa, alcançando aproximadamente 24 vezes no período.
O estudo também indica que o avanço se concentrou especialmente a partir de 2016, quando a área minerada em territórios indígenas aumentou de forma significativa. Quase 90% da atividade identificada está concentrada em três territórios, entre eles a Terra Indígena Munduruku, no Pará.
Além do desmatamento, a mineração ilegal está associada à contaminação por mercúrio, à degradação dos cursos d’água e ao agravamento de problemas de saúde, como malária e impactos no desenvolvimento infantil. Organizações indígenas defendem que o combate deve alcançar as redes criminosas que financiam e distribuem o ouro, e não apenas retirar trabalhadores dos pontos de extração.
O governo federal afirma que mantém ações de fiscalização e pretende ampliar medidas de proteção, atendimento e infraestrutura nas áreas afetadas. Especialistas, porém, avaliam que a continuidade do problema mostra a necessidade de uma resposta integrada, com presença permanente do Estado e proteção efetiva dos territórios.
Fonte: Associated Press.
Base da apuração: análise do IPAM sobre a expansão da mineração de ouro na Amazônia brasileira.
Publicação original: AP News.
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